Entrevista do atleta Graciano Novais à “Nova Gazeta”

Conquistou uma medalha de ouro no campeonato africano de vela, mas as condições de vida de Graciano dos Santos têm pouco brilho. Partilha uma minúscula casa com os pais e seis irmãos e todos os dias teme cair ao mar ou que o mar lhe venha roubar as poucas coisas que tem.

É campeão africano, mas não ganhou nada com isso.
Nasceu na Samba, mas é em frente ao mar, onde vive desde os primeiros anos de vida, que lhe proporciona a possibilidade de treinar todos os dias das 14 às 18 horas com o objetivo de alcançar um lugar nos Jogos Olímpicos.
Aos 14 anos, Graciano dos Santos, de poucas palavras e tímido, quer apenas alcançar um feito dificil, mas que pode ser comparado à sua conquista da medalha de ouro em Alexandria, no Egipto, no campeonato africano de vela, classe Optimist.

Mas a vida do jovem Graciano está muito longe de se parecer com a de um atleta medalhado. Em casa, vive com os pais e seis irmãos, numa residência arrendada de pequenas dimensões, um quarto e uma sala. A família encontra muitas dificuldades em pagar os 40 mil kwanzas mensais da renda.
Para se chegar a casa do campeão africano, tem de se passar por becos apertados e por aquelas ruas estreitas, param jovens a fumar ou a consumir bebidas alcoólicas.
A residência do jovem fica mesmo encostada ao mar, num local que serve também para se depositar lixo. Não existe sequer espaço para os mais novos brincarem e todo o cuidado é pouco para não caírem ao mar.
O mar assusta, mas é o mar que constrói a carreira de Graciano. É o segundo filho de seis irmãos, estuda na 8ª classe e é atleta do Clube Naval de Luanda. Foi o segundo atleta da história da vela em Angola a conquistar uma medalha de ouro em “Optimist” depois de Osvaldo Gama ter vencido o campeonato africano da modalidade, em 2016.

No CNL, a maior parte dos atletas provem de famílias de renda baixa, mas Moisés Camota, o treinador de vela, considera que as condições de vida do actual campeão africano ainda são mais preocupantes. Moisés Camota defende que as instituições deviam apoiar estes atletas com talento para que consigam bons resultados nas competições internacionais e trazerem prestigio para o País.

O Clube Naval de Luanda apoia os atletas de vela, apesar de ser uma modalidade cara, não cobrando nada aos que desejarem aprender vela nas suas diferentes modalidades. O CNL paga aos atletas o lanche e os transportes entre o local de treino e o local mais próximo da residência.
O CNL dispõe ainda de um programa de bolsas de estudo para os atletas-estudantes com bons resultados académicos e desportivos, o qual teve inicio em 2008 e conta com 10 beneficiários. No inicio este programa foi patrocinado pela Sonangol mas actualmente é o CNL que suporta todos os custos.

 

 

O campeão africano Graciano Novais e o seu treinador Moisés Camota